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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Crescimento e Discipulado

Passagem: I Pedro - 3
Título: Crescimento e Discipulado
Pregado na manhã de domingo, do dia 06 de Janeiro de 2013,
na Igreja Reformada em Campinas Soli Deo Gloria,
por Ricardo Marcondes

Estudo baseado no Capítulo 3 da segunda epístola, conforme escreveu o apóstolo Pedro. O intuito desse sermão não é expor o capítulo na sua forma integral, isto é, o sermão não será expositivo, mas o intuito é expor para a igreja as verdades contidas no capítulo.

INTRODUÇÃO:
Há algum tempo eu estava levando a minha filha para escola, e tinha o costume de ouvir rádios evangélicas. Sempre ao meio-dia havia pregações, umas interessantes, outras nem tanto. Mas neste dia havia um pastor pregando exatamente sobre o que iremos meditar hoje: “Crescimento espiritual”.

Nesse sermão, algo que me chamou muito a atenção foi quando ele disse: “somos uma geração privilegiada no conhecimento bíblico. O ápice do conhecimento escriturístico pertence a nós. Foram dois mil anos de aperfeiçoamento bíblico e hoje desfrutamos do fruto do pleno conhecimento bíblico; muitas igrejas evangélicas inaugurando, enfim, vivemos um período de avivamento”. Então eu pensei comigo: acho que esse camarada nunca ouviu falar de Agostinho, dos reformadores Lutero e Calvino, dos gigantes da fé, os puritanos ou Jonathan Edwards, Spurgeon o príncipe dos pregadores, que com suas pregações viraram a Inglaterra para baixo. George Whitfield, John Wesley, Robert Murray, que, de tamanha unção que tinha esse servo de Deus, quando subia ao púlpito para pregar, antes mesmo de pronunciar uma palavra sequer, seus ouvintes já se derramavam em lágrimas. É obvio que temos homens piedosos em nossa época, mas uma geração privilegiada? NÃO!
Por outro lado, ao retornar para casa, como de costume peguei o jornal para ler e me deparei com um artigo de um sociólogo, cujo título era: Religião e a Sociedade.
 Nesse artigo ele estava abordando sobre o impacto que as religiões têm na sociedade, mas o foco era os evangélicos, e, com muita propriedade, ele observou que o número de evangélicos crescia expressivamente e junto dele o número de igrejas também. Mas algo em que esse sociólogo foi muito enfático foi que, mesmo com um número crescente de pessoas que se dizem cristãs, nossa sociedade nunca foi tão imoral, depravada, rebelde, egoísta e consumista como nos dias atuais. Em termos ele tem razão, mas o ser humano sempre foi imoral desde os tempos de Noé e a sociedade sempre foi problemática. Mas o que mais me preocupou foi a visão que os incrédulos têm da igreja contemporânea. Em resumo, o que esse sociólogo quis dizer foi que a igreja não causa nenhum impacto positivo na sociedade. Esse homem entendeu melhor do que muito crente o significado de sermos o sal da terra... cf. (Mt 5.13). "Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.”
Em alguns casos é desesperador conversar com alguns “cristãos”: muitos sabem muito sobre carros, futebol, moda, filmes, teatros, mas peçam para essas pessoas darem uma breve explicação sobre a doutrina da graça ou sobre justificação e elas se sentirão ofendidas por não saberem responder tais questões, ou se sentirão constrangidas. É triste saber que muitos crentes não sabem explicar os fundamentos de sua salvação; a base por estarem na igreja cultuando a Deus. No português bem claro, “muitos não sabem nem o que estão fazendo na igreja”.
A bíblia diz em Os 4.6: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento...”
 E é sobre isso que vamos meditar hoje, o Crescimento espiritual; o interesse e o desejo de crescer espiritualmente. E para que isso ocorra vamos meditar em dois tópicos:
·         A IMPORTÂNCIA DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL
·         PRÁTICAS BÍBLICAS DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL

1.   A importância do crescimento espiritual
Tudo o que como bons cristãos devemos fazemos é: buscar a glória de Deus, glorificar Seu nome. E um dos meios pelo qual isso ocorre é pelo nosso crescimento espiritual conforme diz 1 Pe 2.12: “Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção.”. E também conforme disse nosso Senhor em Mt 5.16: “ Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus". Nossas boas obras são frutos de um reverente conhecimento de Deus.
 Buscar crescimento espiritual é também uma ordem bíblica. Cf. 2 Pe 3.18:Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.
Crescer espiritualmente é de extrema importância; é um dos meios pelo qual testemunhamos nossa fé ao mundo. O crescimento espiritual é o ato de nos tornarmos mais semelhantes a Cristo, isto é, crescermos em santificação. E o único meio de crescermos em santificação é por meio do estudo da Palavra. Cf Jo 17.17: “ Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”
Uma igreja obediente aos mandamentos do Senhor tem uma grande preocupação no crescimento espiritual de seus membros. Uma das marcas de uma igreja saudável é o crescimento coeso e harmonioso de seus membros em santidade.
E quando dizemos santidade, não significa colocar uma auréola de anjo na cabeça, mas é as pessoas dizerem como somos parecidos com Cristo.
Em contrapartida, jamais devemos atribuir esse crescimento somente aos líderes ou pregadores. Muitos que assim imaginam tornam-se “bebês em Cristo” e esse pensamento é anti-bíblico, pois ignora as exortações de Pedro com vimos acima. O crescimento é sinal de vida: pessoas vivas crescem, plantas vivas crescem, e quando algo não cresce é porque está morto ou morrendo!
Devemos evitar a síndrome do Peter Pan. Peter Pan pensa dessa forma: não quero crescer, quero ser para sempre criança, só quero me divertir... Essa é a síndrome que assola as igrejas e também a sociedade.
Jonathan Edwards em seu livro 'Tratado sobre afeições religiosas', comentando sobre o assunto disse: “o crescimento no discipulado cristão não é, em última instância, apenas entusiasmo, uso crescente de linguagem espiritual ou um grande conhecimento das escrituras”. Também não é um aumento evidente na alegria, no amor ou no interesse pela igreja. O aumento no zelo, no louvor a Deus e na confiança da própria fé do cristão não é uma evidência infalível do verdadeiro crescimento cristão. Embora todas essas coisas possam ser evidência de crescimento espiritual, o único sinal correto e observável desse crescimento é uma vida de santidade crescente, fundamentada na auto-renúncia cristã, no qual a igreja deve ser caracterizada por um interesse vital nesse tipo de santidade crescente na vida de seus membros.”
Sendo assim meus irmãos, nossa igreja tem a obrigação de ser um instrumento pelo qual o povo de Deus cresce na graça.
A maior preocupação da igreja SDG não é se você esta confortável ou se você esta se sentindo bem aqui hoje, nossa grande preocupação é: Você esta crescendo em Cristo?

·         PRATICAS BÍBLICAS DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL   
Conforme escreveu o apóstolo Pedro em sua segunda carta, um dos métodos práticos bíblicos de crescimento é: (2 Pe 1.1-8) “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, mediante a justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, receberam conosco uma fé igualmente valiosa: Graça e paz lhes sejam multiplicadas, pelo pleno conhecimento de Deus e de Jesus, o nosso Senhor. Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Por intermédio destas, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça. Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor. Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em suas vidas, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos.
Mas para sacramentar nossos estudos do livro “Nove Marcas de uma Igreja Saudável”, vamos dar uma breve resumida em tudo o que vimos até agora e dar uma olhada naquilo em que iremos ver ainda. Acredito que os estudos até aqui mencionados afetarão nosso crescimento espiritual.

MARCA 1: PREGAÇÃO EXPOSITIVA
Como já vimos, uma igreja que prega expositivamente é uma igreja que com certeza irá contribuir para o crescimento espiritual de seus membros.
O método expositivo garante a maior quantidade de conhecimento bíblico ao pregador e ao ouvinte. Sendo assim, tendo um correto conhecimento de Deus, temos um correto relacionamento com Ele... “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...”.

MARCA 2: TEOLOGIA BÍBLICA - pregada pelo Ober
Uma igreja fundamentada em uma teologia bíblica sólida é uma igreja que ajudará seus membros a crescerem na graça, pois a mesma irá conduzir seus membros a meditarem corretamente a respeito de quem é Deus e quem é o homem, e o que Deus exige de nós. (Cf. Mq 6.8): “Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: Pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus.

MARCA 3: UM ENTENDIMENTO BÍBLICO DO EVANGELHO
Foi exposto aqui sobre o que é o evangelho, as boas novas de Cristo. Meditamos que, se existem as boas novas, logicamente deve haver as más noticias. A igreja que entende a seriedade de se pregar o evangelho com sinceridade é uma igreja que cresce a cada dia em gratidão a Cristo e no Seu infinito amor. De fato só crescemos quando entendemos o que Deus fez por nós em Cristo. Entretanto meus irmãos, acautelai-vos daqueles que só pregam paz, paz, paz... quando não há paz, conforme relatou Jeremias (Jr. 23.17): “Vivem dizendo àqueles que desprezam a palavra do Senhor: ‘Vocês terão paz’. E a todos os que seguem a obstinação dos seus corações dizem: ‘Vocês não sofrerão desgraça alguma’.”. Amar o próximo é expor toda a verdade da bíblia.

MARCA 4: ENTENDIMENTO BÍBLICO DA CONVERSÃO – pregada pelo Diego.
Aqui o Diego abordou sobre as falsas conversões: a igreja só cresce quando entende que a salvação é uma obra estritamente divina, sem qualquer auxílio do homem. Sendo assim, somos gratos por tamanha graça em nossas vidas, conforme relatado em Jo 15.16: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome.

MARCA 5: O QUE É EVANGELIZAÇÃO?
 Começo com o comentário de Mark Dever: "A falta de crescimento espiritual em pessoas que se percebem cristãs é frequentemente uma evidencia de que elas foram evangelizadas de modo errado. Temos ensinado pessoas que não são cristas pensarem que são.”.

Muitas igrejas usam métodos anti-bíblicos de evangelização e o resultado é o grande numero de pessoas que não são convertidas dentro da igreja.
Uma igreja que cresce espiritualmente sabe que a evangelização consiste em pregar a palavra com fidelidade, independente dos resultados; sabe que evangelizar não é ganhar convertidos - isso nos traz liberdade e total dependência da provisão de Deus.

MARCA 6: MEMBRESIA NA IGREJA.

Esta marca ajuda a crescer quando os membros entendem a importância de congregar-nos em uma igreja e a extrema importância da comunhão dos santos como verdadeiro corpo de Cristo.

MARCA 7: DISCIPLINA ECLESIÁSTICA.

Essa marca nos ajuda a crescer quando entendemos que na igreja existem regras e padrões a serem seguidos. A disciplina na igreja é exercida para o bem das pessoas que sofrem a disciplina; para o bem dos outros cristãos como forma de advertência; para a saúde da igreja como um todo; para o bem de nosso testemunho cristão e para a glória de Deus. Crescemos espiritualmente quando praticamos a disciplina na igreja.

MARCA 9: LIDERANÇA BÍBLICA.

Somos ajudados a crescer espiritualmente quando temos líderes levantados por Deus que são exemplos de piedade a serem seguidos.

1 Pedro 2:2-5: “Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação agora que provaram que o Senhor é bom. À medida que se aproximam dele, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo”.
E também desejemos ser como João Batista que disse em Jo. 3.30:
“É necessário que ele cresça e que eu diminua”.

Amém



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Em que temos depositado nossa esperança?

Passagem: I Pedro 1: 13-17

Título: Em que temos depositado nossa esperança?

Pregado na manhã de domingo, do dia 07 de Outubro de 2012,

na Igreja Reformada em Campinas Soli Deo Gloria,

por Higor Ferreira Lemes

Texto: I Pedro 1: 13-17

13 Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. 14 Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; 15 pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, 16 porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. 17 Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação.

Introdução:

Antes de entrarmos propriamente no texto base de nosso sermão, é importante considerarmos alguns pontos.

· Primeiro: Quem é o autor da carta?

· Segundo: A quem ela é destinada?

· Terceiro: Com que objetivo ela foi escrita?

Os versículos 1 e 2 do capítulo primeiro de 1ª Pedro já nos fornecem as respostas para essas questões, vejamos:

1 Pedro, apóstolo de Jesus Cristo (...)

Aqui vemos o autor: Pedro, o bem conhecido apóstolo dos Evangelhos e de Atos.

E para quem o apóstolo Pedro dirige a sua carta?

(...) aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, 2 eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas.

Pedro dirige sua carta aos CRENTES que viviam na região da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia.

E qual foi o objetivo do apóstolo Pedro ao escrever a carta?

O objetivo foi o de encorajar cristãos perseguidos e confusos e para exortá-los a permanecerem firmes na sua fé.

Para isso, Pedro, repetidas vezes, direciona suas reflexões às alegrias e glórias de sua herança eterna (o reino dos céus!).

Vejamos 1 Pedro 1: 3-5

3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros 5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.

Características da herança...

E além de encorajar os irmãos, direcionando suas reflexões às alegrias e glórias de sua herança eterna, o apóstolo também os instrui quanto ao comportamento cristão CORRETO no meio do sofrimento injusto.

Vejamos 1 Pedro 4: 1-2

1 Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, 2 para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.

Também o versículo 19 do mesmo capítulo:

19 Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.

Agora, um ponto muito importante que devemos observar nessa manhã, é que ainda que a carta de Pedro seja dirigida primariamente aos crentes perseguidos, os princípios que o apóstolo ensina se aplicam a todo tipo de sofrimento, não importa a causa, desde que NÃO seja ocasionado pelo próprio pecado.

Vejamos 1 Pedro 4: 14-16

14 Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. 15 Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; 16 mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.

Pedro deixa claro o tipo de sofrimento ao qual ele se refere. Se alguém sofre pelo pecado, tal sofrimento não tem nenhum proveito para reino dos céus. Contudo, se sofremos pelo nome Cristo, somos bem aventurados!

Baseado nesta epístola, Pedro, com justiça, tem sido chamado de “apóstolo da esperança”.

Muito bem...

Então, agora que já vimos quem foi o autor da carta, a quem ela foi dirigida e qual foi o seu objetivo, passemos a considerar o texto base do nosso sermão: I Pedro 1: 13-21

Versículo 13

Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.

Já nesse primeiro versículo nos deparamos com uma exortação do apóstolo no que diz respeito à postura do cristão em meio ao sofrimento.

Olhem só como começa o versículo: Por isso, cingindo o vosso entendimento...

Em uma busca no dicionário encontrei a seguinte definição para cingir: ligar, cercar, rodear, pôr o cinto.

Mas afinal, o que exatamente Pedro quis dizer com essa expressão?

Na verdade é como se o apóstolo estivesse dizendo: “aperte o cinto” ou “arregace as mangas”, “prepare-se”!

Ou seja, ao utilizar essa expressão Pedro pede para que nos preparemos para um exercício espiritual vigoroso e firme.

Ele está dizendo: Cinja o seu entendimento, porque ainda há um longo e duro caminho a percorrer até que alcancemos a coroa da glória!

Mas, além de cingir o nosso entendimento, devemos ainda observar outros dois pontos importantíssimos mencionados pelo apóstolo, olhem a continuação do versículo:

Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.

(...) sede sóbrios – sejam moderados!

A vida espiritual não tem extremos! O evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é simples!

II Coríntios 11: 3

Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.

Contudo, é importante que tenhamos bem claro em nossas mentes que ser moderado NÃO é ser liberal. Não servimos ao nosso Senhor e Salvador de qualquer maneira, muito menos do jeito que achamos mais conveniente para nós. NÃO!

Deus deixou bem claro em sua palavra como Ele quer ser servido e adorado.

João 4: 23-24

23 Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. 24 Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

Irmãos, adorar em espírito e em verdade é adorarmos ao nosso Deus com um coração puro, com um culto racional! Não é êxtase emocional, não é gritaria, não ... não é nada disso.

Agora, também é importante termos em mente que ser moderado NÃO é ser legalista!

Marcos 7: 1-8

1 Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém. 2 E, vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar 3 (pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; 4 quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]), 5 interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar? 6 Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 7 E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. 8 Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.

A vida em Cristo dever ser moderada!

E, por fim, além de cingir o nosso entendimento e sermos sóbrios, devemos ainda esperar!

Esperar em que? Na graça de nosso Senhor Jesus que nos está sendo revelada, voltemos ao versículo:

Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.

Pedro chama a nossa atenção para o fato de que devemos esperar completamente ou, melhor dizendo, exclusivamente na graça nos está sendo trazida/anunciada na revelação de Jesus Cristo.

E qual é essa graça que nos está sendo revelada em Cristo?

Efésios 2: 4-9

4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, 6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie.

Essa graça consiste no fato de que Cristo, ao seu tempo, morreu na cruz do calvário por nossos pecados e que graças ao seu precioso sangue vertido naquela cruz obtivemos igualmente acesso ao reino céus!

E o texto lido é bem claro que não foi por qualquer tipo de obra ou mérito nosso, mas sim unicamente pela graça. E isso para que nenhuma carne venha se gloriar diante nosso Deus.

Oh meus amados! Com grande e maravilhoso é este mistério que a nós foi revelado. A nós que outrora andávamos segundo o curso deste mundo, submersos no tremedal de lama dos nossos pecados. Caminhando a passos largos para inferno eterno!

De fato, jamais compreenderemos no corpo desta carne a graça do Pai revela em seu filho unigênito Cristo Jesus. Pois ela é infinitamente maravilhosa para seres tão insignificantes, fracos e limitados como nós.

É impossível a mente humana compreender o amor de Deus para com os eleitos! Nós cremos pela fé e essa fé, a fé genuína, provém do próprio Deus.

Retomar os princípios do versículo 13...

Agora Pedro irá prosseguir enfatizando a postura que deve ser assumida por aqueles que esperam inteiramente nessa graça que está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.

Versículos 14 a 16

14 Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; 15 pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, 16 porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

Versículo 14

Como filhos (...) Lembremos que a carta é dirigida a crentes! Isto é, a todos aqueles que foram comprados pelo precioso sangue de Cristo, por isso Pedro os chama de filhos.

E, na condição de filhos de Deus, devemos ser obedientes e em tudo solícitos e aptos a fazer a vontade de nosso Pai.

Então, como filhos da obediência, não devemos mais viver como se ainda estivéssemos sob o jugo do pecado.

Romanos 12: 1-2

1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Também em Romanos 6: 12-13

12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; 13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.

Ou seja, a atitude mental do crente deve ser determinada e remodelada pelo conhecimento do evangelho ( i.e. pela revelação de Jesus Cristo!) mediante o poder do Espírito e pelos interesses da vida por vir.

Mas (...) por que a minha atitude mental deve ser remodelada e determinada pelo conhecimento do evangelho?

A resposta a essa pergunta se encontra nos versículos subsequentes do nosso texto base, vejamos:

15 pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, 16 porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

Assim, como Israel no Antigo Testamento foi separado por Deus dentre as nações vizinhas para ser santo, assim também a igreja deve ser separada do pecado para servir a Deus.

Vejamos alguns textos:

Levítico 11: 44-45

44 Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis por nenhum enxame de criaturas que se arrastam sobre a terra. 45 Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo.

1 Pedro 2: 9-10

9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 10 vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

Nós fomos separados para servir ao nosso Deus! E uma vez separados, como devemos nos portar durante nossa vida aqui na terra?

Olhem o versículo 17

17 Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação;

Temos que nos portar com temor durante o tempo da nossa vida aqui na terra, pois seremos julgados por nossas obras e igualmente recompensados elas.

Nós sabemos que, embora os cristãos não serão condenados pelos seus pecados, pois o sangue de Cristo os purifica de todo pecado, cada um será julgado por suas obras e receberá a devida recompensa das mesmas (i.e. os galardões)

Romanos 14: 10-12

10 Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. 11 Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo o joelho, e toda língua dará louvores a Deus. 12 Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.

Também em I Coríntios 3: 12-15

12 Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13 manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. 14 Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; 15 se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.

E a pergunta que devemos fazer é: Como estão as nossas obras? Será que realmente temos nos empenhado em trabalhar para o reino de Deus? Será que se o Senhor vier nesse exato momento e provar as obras da igreja, Ele encontrará ouro, prata ou pedras preciosas? Ou encontrará madeira, feno e palha?

Será que o fato de o pastor Gustavo ser levado pelo Senhor para conduzir outro rebanho, é motivo para cruzarmos nossos braços e amontoarmos madeira, palha e feno sobre nossas cabeças?

Mas irmão Higor, você pensa que é fácil continuar sem um pastor? Não, não penso que seja fácil.

Até porque já caminhamos para o oitavo ano da igreja em Indaiatuba e ainda não temos um pastor.

Então eu sei perfeitamente que não é fácil! Só Deus sabe o que nós passamos e temos nesses quase oito anos. As Dificuldades, as aflições....

Por duas vezes o trabalho esteve muito perto de acabar, mas não acabou. E sabem por que não acabou?

Ah, não acabou porque nós éramos membros experientes, já havíamos passado por coisas similares em nossas ex-igrejas, então tivemos “jogo de cintura” para lidarmos com a situação...

Será que foi isso?

NÃO! Não acabou porque o Senhor nos sustentou! Não acabou porque o Senhor nos concedeu sua graça e misericórdia e não permitiu que nos esmorecêssemos.

E sabe por que o Senhor fez isso? Porque a igreja é DELE e não nossa! Por isso Ele nos sustentou.

Então meus amados, por mais que seja difícil, lembremos que nada do que venhamos a sofrer ou padecer em nome Cristo, absolutamente nada, há de ser comparado com as glórias do porvir. Saibamos esperar em nosso Senhor e clamar por seu auxílio.